Perícia Particular Contra Mídia Editada por IA: Como a Tecnologia Forense Atua

O avanço exponencial da Inteligência Artificial (IA) generativa trouxe consigo tecnologias como os deepfakes, capazes de criar ou manipular conteúdos audiovisuais com um realismo impressionante. Essa evolução tecnológica, embora fascinante, representa um desafio sem precedentes para a autenticidade da informação e a integridade das provas digitais, tornando a atuação do perito judicial e do assistente técnico essencial.

O Desafio dos Deepfakes e da Mídia Sintética na Justiça

Deepfakes podem ser utilizados para criar situações falsas, forjar declarações, incriminar inocentes ou desacreditar evidências verdadeiras. A capacidade de sincronizar movimentos labiais com áudios sintéticos ou de transplantar o rosto de uma pessoa para o corpo de outra em um vídeo levanta questões críticas no âmbito jurídico: como podemos detectar vídeo falso e confiar no que vemos e ouvimos? Nesses cenários, a perícia particular e o perito judicial são acionados para a elucidação técnica dos fatos.

A Resposta da Ciência Forense: Metodologias de Detecção e Apoio Jurídico

Em resposta a essa nova fronteira da manipulação digital, a ciência forense desenvolveu e aprimorou metodologias específicas para a detecção de mídia sintética. O perito judicial atua de forma imparcial no processo, enquanto o assistente técnico é crucial para a defesa ou acusação, oferecendo uma perícia particular especializada. Embora os deepfakes sejam cada vez mais perfeitos, os algoritmos que os criam ainda deixam “assinaturas digitais” e inconsistências sutis, imperceptíveis ao olho humano, mas detectáveis por meio de análise especializada. Nossas técnicas periciais incluem:

  • Análise de Artefatos de Compressão: Investigação de inconsistências nos padrões de compressão de vídeo e imagem.
  • Análise de Ruído Digital (PRNU): Verificação do padrão de ruído único de cada sensor de câmera.
  • Inconsistências Fisiológicas: Análise de movimentos oculares anômalos, falta de piscar, expressões faciais não naturais.
  • Análise Espectral de Áudio: Detecção de características não humanas em vozes sintéticas.

Por meio dessa análise multifatorial, é possível emitir um parecer técnico indicando se um conteúdo foi gerado ou adulterado artificialmente. Este serviço é essencial para proteger a integridade de processos judiciais e a reputação de indivíduos e empresas na era da desinformação digital.

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